Livros atuais e suas críticas

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Quando adentrei no mundo literário, na blogosfera e na vlogosfera, eu sabia que estava entrando num território no qual eu me encaixaria, mas que seria cheio de reflexões e pensamentos diferentes. De certo modo, até gosto disso. Faz com que minha mente sempre fique em exercício, bolando minhas próprias ideias. Assim como todo mundo, tenho meu direito de ter minha própria opinião.

E hoje vim inaugurar a nova categoria do blog (denominada “Reflexões”) com esse tema: “Livros atuais e suas críticas”. Como eu já disse, sempre estou em contato com pessoas que leem muito, algumas até que são formadas na área da literatura. E, claro, sou muito curiosa e vivo perguntando coisas e debatendo com essas pessoas.

Eu comecei a entrar nesse mundo consideravelmente nova e hoje ele faz parte de onde vivo. É a minha atmosfera, por assim dizer. Estou sempre ouvindo coisas como: “Adorei o livro tal” ou “Detestei o livro tal”. Normal. Cada um leva a leitura de um jeito para si. Eu posso ter amado um livro que outra pessoa pode ter achado um livro mediano. Ate aí é completamente tolerável. Eu e meus colegas debatemos um pouco sobre o assunto e ponto, cada um fica na sua, gostando ou não do livro. Mas vou te contar: acho mesmo um absurdo quando uma pessoa menospreza a outra dizendo coisas como: “Esse livro não vai te levar a nada”, “Esse livro é um lixo”, “Eu hein, você chama isso de leitura?” e, para mim, o pior de todos: “Esses livros atuais não trazem nada de bom pra ninguém. Não levam à reflexão”. 

Quando eu ouço isso, fico possessa. A pessoa que me fala isso na verdade quer dizer que existe hierarquia literária. Em parte existe, sim; podemos colocar na balança a alta literatura e os livros mais fáceis de serem lidos. Mas eu acho que a coisa aqui devia ser mais comunista, sabe? Igualitária. Não estou comparando títulos e nem autores, veja bem. Estou dizendo que, nesse mundo literário, cada autor tem um público-alvo, e esses autores se respeitam, mesmo tendo estilos literários diferentes. E os que não respeitam os outros… bem, eu não tenho simpatia alguma.

Sou defensora ferrenha do não-julgamento ou não-depreciação de alguma coisa só porque nos achamos no direito de fazer isso. Dizer uma coisa dessas sobre um livro é quase como dizer: “Ei, pare de ler porque tudo o que você lê é idiota”. Sabemos que o brasileiro ainda lê pouco. Dizer isso é levar uma vontade a forca, é matar o desejo da leitura, arrancar a boa iniciativa pela raiz (ou como você quiser chamar).

Também defendo o seguinte: uma pessoa que nunca leu um livro na vida e quer começar tem uma chance mínima de ler Machado de Assis logo de cara e gostar. Isso é extremamente raro. Uma pessoa que nunca leu e me diz: “Mari, quero começar a ler. Que livro você me indica?”, certamente vai ouvir de mim: “Comece com algo que você gosta. Que tipo de filme te agrada mais? Romance, aventura? Ó, então pega esse aqui: Diário de uma paixão. Acho que você vai gostar”.

Leitura é uma coisa gradativa! Não adianta chegar forçando a barra, dando um livro super profundo de significado pra uma pessoa que nunca leu nada. Primeiro porque a pessoa pode nem entender o significado tão profundo por não ter tanta experiência literária, e segundo porque ela simplesmente vai odiar a narrativa tão rebuscada e abandonar de vez os livros. Que triste seria, não?

Eu falo isso porque comigo foi assim. Eu sempre li muito, desde pequena, mas o primeiro livro “grande” que eu peguei para ler foi Crepúsculo. Na época eu amei o livro, hoje vejo que existem melhores. Eu lembro até hoje que, quando eu estava lendo Lua Nova no intervalo da minha escola, dentro da biblioteca, chegou uma menina bem mais velha que eu, grandalhona, que se achava a tal, e me disse: “Credo, você chama ISSO de livro?”. Pois é. Fiquei bem chateada com isso, mas não desisti de ler. Na minha escola, vejo muitas meninas mais novas lendo Meg Cabot. Faço questão de dizer que o livro é super legal e que elas vão se divertir com a leitura. Eu também já li muito Meg Cabot, hoje nem tanto. Meu nível de leitura atual já pede uma coisa um pouquinho mais densa, mas isso não quer dizer que eu tenha o direito de tirar a felicidade de alguém só pelo prazer de dizer que eu leio algo (supostamente) melhor.

Ok, agora vamos direto ao ponto: como assim livros atuais não trazem reflexão? Eu ainda me encaixo na categoria “Literatura Juvenil”, se você levar em consideração que tenho dezessete anos. E sim, acho que as distopias de hoje acrescentaram MUITO na minha vida, assim como Harry Potter acrescentou há alguns anos. Não só as distopias: os livros do John Green, por exemplo, também. É uma lista de livros tão grande que nem cabe aqui. Da mesma forma que leio autores contemporâneos, eu também li títulos de outros autores mais antigos com carga mais pesada, como Machado e Graciliano Ramos. Dizer que uma coisa é melhor que a outra tá bem fora de moda, hein? Por favor, estamos no século XXI! Quem é melhor que quem? Negros ou brancos? J.K. Rowling ou Agatha Christie?

Para mim, tudo isso não passa de uma guerrinha besta de pessoas querendo ser superiores. Preconceito me deixa irritadíssima, seja de qualquer ideologia: cor, sexo, religião e, por que não?, literatura. Livros são livros. Leia sem moderação. Ah, e sem se importar com aquela pessoa que, mesmo tendo lido esse post, continua dizendo que tal livro é melhor que o seu.

Mariana

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