Post para alguém

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É difícil escrever para alguém. É uma das maiores dificuldades que tenho, por sinal. Tenho sentimentos entalados na garganta, prontos para serem ditos, mas me falta coragem para libertá-los ao ar ou em uma folha de papel. Bem, no caso, numa página em um blog.

Esse amigo(a) é uma pessoa especial. Até hoje não entendo como uma pessoa, um ser vivo, “apenas mais um”, pôde abrir meu coração e meus olhos para tantas coisas maravilhosas. Me deu coragem, ajudou a melhorar até meu pensamento crítico sobre certas coisas, me mostrou que amor entre amigos pode ser mais que incondicional e que eu posso e devo acreditar em sonhos. Essa pessoa me faz desejar o melhor pra ela antes que haja o melhor pra mim, sempre, e o orgulho me atinge assim que a vejo alcançar uma meta previamente estabelecida.

Tudo o que faço para demonstrar meu carinho e amor por você é pouco. Nunca chegará perto do que sinto, é fato. Demonstrar gratidão então… Pode esquecer, isso eu nunca vou conseguir, por mais que eu me esforce ao máximo. E eu juro que me esforço a cada dia, pode acreditar. Faço isso te admirando, te ouvindo, rindo com você, sentindo sua falta, me sentindo a vontade ao estar do seu lado (e isso não envolve, necessariamente, proximidade física), desejando te abraçar a cada segundo, milésimo de segundo e assim por diante.

Infelizmente não consigo expressar meu sentimento de amizade com coisas grandes. Não posso comprar a reciprocidade com qualquer presente e também não quero fazer isso. Posso te oferecer apenas essas “pequenices”, algo simples como um longo abraço (físico ou não) e coisas que muitos poderiam julgar como infantil ou sem valor.

Para você, no entanto, eu sei que tem certo valor. Talvez não em tamanha proporção como para mim, mas eu não me sinto magoada ou vejo diferença nisso, porque amo você e sua amizade e não desejo muito em troca. Eu poderia dizer que não quero nada em troca (e não seria mentira), mas posso dizer que já recebi algo em retorno: recebi um pedacinho seu, que guardo com todo o carinho dentro do meu coração.

Esse, como dito, foi um texto sincero e é para uma pessoa que existe mesmo. Vale dizer que pode não ser para APENAS uma. Se você leu, quero apenas agradecer por ainda estar ao meu lado. Você é um amigo incrível. Obrigada por ser parte de mim.

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(Primeiros Espaços) Cartas

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Começo a entender a importância das cartas:

Pensar várias vezes,

Se emocionar,

Abraçar um pedaço de papel,

Ficar saudosista,

Tentar se expressar.

Tudo isso ao escrever o que vem do fundo da alma,

Que tenta se condensar na ponta de uma caneta,

Insiste em ir para o papel

Para transmitir de uma alma para outra

O sentimento que não cabe

Em meras linhas dentro de um envelope

Que guarda uma carta

Que guarda uma época que já não existe.

Aniversário do Primeiros Espaços!

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Hoje o meu blog está fazendo um ano (sim, no mesmo dia do aniversário do Harry Potter e da J.K. Rowling, porque sou potterhead até nisso). Não vou dizer que parece que foi ontem que sentei na frente do computador e criei o usuário de nome “Primeiros Espaços” aqui no wordpress. Engraçado dizer, mas parece que faz um tempão que eu criei tudo isso aqui.  Talvez por tudo aqui me trazer uma carga grande de sentimento, como se eu conhecesse cada coisa que posto por aqui. Bom, na verdade eu conheço, sim!

Nada mais justo que postar isso aqui na aba “Primeiros Espaços”. Decidi escrever isso com a intenção de explicar melhor o que esse ano significou pra mim…

… e o que o nome do blog significa pra mim.

Ando pensando muito nas coisas que aprendi, nas pessoas que conheci e nas coisas que conquistei ao longo desse ano que se passou. Foi muita coisa realmente importante pra mim. Não me tornei uma escritora/blogueira/vlogueira de sucesso, como acontece com algumas pessoas. Na verdade, isso hoje não me parece tão interessante (a não ser a parte de me tornar escritora). Hoje tenho amigos incríveis, conheci pessoas que antigamente eu só admirava de longe e isso foi uma grande conquista pessoal. Aliás, isso me faz muito feliz. Venci um medo babaca de não ser aceita e não me encaixar, porque agora tenho vocês que me acompanham e conversam comigo. Isso é o melhor presente que eu poderia receber! Aprendi muito sobre escrita e sobre muuuuitos livros. Finalmente achei o universo a que pertenço!

E, bem, Primeiros Espaços significa todos os meus primeiros passos nessa jornada para me tornar escritora. Sacou o trocadilho? Passos, espaços… Pois é. E, no fim, o blog se tornou absolutamente isso. Aprendi muito, li muito. Não digo que escrevi demais, a escola toma muito do meu tempo ainda. Pretendo me dedicar mais para frente. Mas o blog se tornou meu espaço de aprendizagem e me trouxe muito mais além disso. Ele me ensinou a superar desafios, a perder o medo e a vergonha e me ensinou que sonhos podem surgir do nada e se concretizar – também – do nada. Justamente porque a felicidade que tenho ao escrever pra alguém é tão grande quanto qualquer outro sonho que eu poderia ter.

Agradeço DEMAIS a todos que me ajudaram até aqui. Foi realmente incrível, um ano que só eu sei como foi especial. E fico por aqui, dando meus passos (ou Espaços) de futura escritora!

Sobre o passar do tempo

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Esses dias fiz um daqueles testes que aparecem no facebook do tipo “Qual é sua idade mental?”. Não acredito muito nisso mas, ok, fiz o teste e acabei me assustando com o resultado: 32 anos. E eu tenho só 16! Se eu fizesse uma entrevista de emprego agora, alguém poderia gostar de saber isso. Meus amigos só iam aproveitar a deixa para me chamar de velha, anciã, ou o que seja.

Acho engraçado pensar que hoje, exatamente quando estou escrevendo esse texto, sou uma pessoa X. Amanhã posso ser a pessoa Y. Deixa eu explicar: com os dias se passando, eu pareço mudar de ideia assim como a temperatura gosta de oscilar: às vezes fico no zero grau, às vezes nos trinta, às vezes no zero absoluto. Estou sempre mudando, algumas pessoas podem não reparar mas isso acontece.

Eu, porém, noto com facilidade. Basta olhar algum texto que escrevi no começo desse ano e um que escrevi agora. É água e óleo e, ao mesmo tempo, carne e unha. E eu mudo por dentro – sem querer – a cada dia. Parando para pensar, talvez seja por isso que não consigo criar uma biografia em 140 caracteres do twitter. Eu poderia usar muitas páginas e ainda não conseguiria me definir. Eu mudo muito o tempo todo.

Então vem a pergunta: o que isso tem a ver com sua idade mental naquele teste do facebook?

Constantemente fico pensando nos dias que se passam, nas horas que correm. Passa rápido mesmo, não é novidade para ninguém. Eu ando em linhas tortas quando insistem me dizer que preciso andar em linha reta. Sem oscilação não há som. Parece que eu viro criança do nada, dá vontade de seguir o Peter Pan até a Terra do Nunca e não sair mais de lá. E me vem à mente o mundo na faculdade e eu fico ansiosa, querendo estudar coisas que gosto, conhecer gente nova. Deu para relacionar agora? Como posso ter 32 anos mentalmente se estou pensando em viver para sempre criança? Crescer parece doer, mas o futuro me deixa ansiosa.

Tá fácil perceber que eu sou um contraste humano. Gosto de ter minhas atitudes de velha e pensar feito criança. Acho que as coisas se mesclam. São duas Marianas que andam juntas e não se desgrudam por nada. Tem dias que uma gosta de chamar mais atenção que a outra, mas elas se respeitam.

O tempo passa, com certeza. Eu mudo e permaneço a mesma. Estranho, não é? Pode ser que, quando eu tenha 32 anos, minha idade mental seja de 16. E daí? Isso não muda totalmente quem eu sou. Se eu viro uma ampulheta, a areia cai até o fim. Mas basta virá-la para que caia novamente. O tempo é isso: fases. E as fases são isso: tempo.

Quando Liza viu outro mundo

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         Era a vez de Liza ir à frente da sala de aula. Tinha sete anos e aprendera a escrever com uma caligrafia meio corcunda. Ela segurou seu dever de casa com força e caminhou até a mesa da professora. O tema era: “Quem são seus pais?”.

         Os pais de Rafael eram médicos. Os de Lúcia eram empresários. O pai de Augusto era piloto de avião e a mãe era dona de uma loja.

         A sala fez silêncio. Era a vez de Liza. Levantou a folha na altura do rosto, pois suas bochechas coraram, e leu:

         – Meu pai é um cavalheiro. E cavaleiro também. Gosta de cavalgar por campos em busca de aventuras. Quando chega em casa, sempre me conta quantos dragões ele encontrou por lá. Ele sempre traz flores bonitas para a minha mãe, que é uma fada ainda mais bonita que as flores. O rosto dela é estrelado de sardas e seu cabelo tem cor de fogo. Ela usa um vestido amarelo cheio de flores que ganha do meu pai. Os dois nunca quiseram um castelo, pois já têm tudo o que precisam. Só precisam de alguns livros na estante. E vontade de sonhar.

         Liza abaixou a folha e encarou os colegas. Poucos segundos depois, eles começaram a rir. A professora começou a gritar pedindo silêncio, mas o barulho ensurdecia. O barulho assustou Liza, que ficou envergonhada e saiu correndo para algum lugar.

         Desde então, Liza soube que existia outro mundo. Ela percebeu que preferia continuar lá: dentro dos livros.

Mariana

Inversão

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Saber que o mundo hoje é imediatista não é novidade. A tecnologia tem pressa e evolui; a humanidade tem pressa e regride. O diálogo quase inexiste, mesmo com tantos meios de comunicação.

Resulta disso a carência, mesmo que despercebida, de senso crítico. As conversas de outrora eram debates. Atualmente só há discussões sobre qual rede social é melhor. Rede? Não: teia. A paciência de receber um bilhete ou uma carta e pensar em que escrever se extinguiu e deu lugar aos meios que temos hoje: rápidos, fáceis e desprovidos de reflexão.

Ocorre, dessa forma, a solidão, e não a solitude. Se havia poetas que se retiravam para pensar, tem-se hoje pessoas solitárias. A interação entre as mesmas é difícil e só se salva quem se esforça para sair do senso comum.

Essa é a sociedade de hoje: forte em tecnologia, fraca de mente (demente?). É preciso sair do marasmo, é preciso retomar os costumes “antiquados”. Mas já dizia Eça de Queirós: “Eis a Civilização”.

Mariana

Preocupe-se em sorrir

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Heloísa tem o cabelo curto, usa óculos grandes e vai para a faculdade usando galochas. Sabe como é, sempre chove em São Paulo. Ela chega com o cardigã meio molhado, sacode a água da sua maleta cheia de livros e um estojo e sobe as escadas para a primeira aula.

Como sempre, as meninas de Moda as olham dos pés à cabeça. Principalmente dos pés. Galochas amarelas? Heloísa finge que não vê e nem ouve os sussurros incessantes. Sorridente, continua andando. É a única da faculdade que fala “boa noite” ao faxineiro, que esboça o único sorriso do dia exclusivamente para ela.

Andando pelo corredor gelado da faculdade, Heloísa percebeu que a maioria dos alunos usava fones de ouvido e não conversava com ninguém. Claro que ela mesma gostava de música, mas preferia cantar com seus amigos da sua cidade natal. Tinha um MP3, mas usava no seu quarto antes de dormir, só pra relaxar um pouco. E de dia, enquanto enfrentava o trânsito até o estágio na biblioteca, tentava ouvir se, no meio de tantos carros, existia algum passarinho. E procurava flores, também, onde só havia concreto. De vez em quando, ela achava.

Faltavam alguns minutos para a aula começar, então Heloísa sentou-se na carteira de sempre: a segunda da terceira fileira. Tirou da sua maleta seu livro favorito e começou a ler, sentindo que as palavras a protegiam a cada frase lida. Aquele livro era o seu favorito de sempre, tipo aquele sapato que você quer usar sempre e de qualquer jeito, que já foi com você para todos os cantos. O livro estava um pouquinho amassado na capa, mas Heloísa sempre cuidava dele com muito carinho.

Seus colegas de sala foram entrando. Alguns a viam e diziam “boa noite” (alguns, tipo, quatro em uma sala de quarenta), alguns passavam reto e alguns olhavam para o livro dela e riam.

– De novo esse livro, Menina da Galocha? Cresce logo! Vai ler alguma coisa diferente, alguma coisa mais culta!

Não é que Heloísa não lia outros livros. Na verdade, ela tinha uma infinidade deles espalhados pelo seu apartamento. Mas ela gostava mais daquele. Gostava tanto que queria lê-lo todo dia.

 – Você já leu esse livro? – Heloísa sorriu e perguntou, ignorando a frase dita – É ótimo, acho que você ia adorar.

– Esse seu livro babaca? Qual é, nunca perdi meu tempo nem lendo a sinopse! O dia que você ler um dos que leio, merecerá algum respeito.

Enquanto a pessoa ia embora rindo, Heloísa se sentiu confusa. Para ela, ler era como trocar figurinhas: um indica um livro para o outro e troca ideias. Mas não se faz troca com uma só pessoa. Preferiu se calar. Logo o professor entrou na sala, cumprimentou a menina e passou a matéria na lousa. Mais tarde, naquela quarta feira, metade da faculdade seguiu para a balada que tinha por ali, mas Heloísa preferiu ir para casa, dormir cedo para ir de bicicleta ao trabalho no dia seguinte. Quem sabe não ouvia um pássaro cantar…

É certo que o tempo voa. Heloísa terminou sua faculdade de Biblioteconomia na Inglaterra, ficou morando por lá em um apartamento que dividia com o noivo inglês e com um gato. Enquanto isso, outros ficaram para trás, mais preocupados em cuidar da vida dos outros do que sorrir.

Mariana