(Resenha) Aplicativo iPoe

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Esse é um rosto muito conhecido para quem gosta de literatura. Este é o americano Edgar Allan Poe, nascido em Boston no século XIX. É um autor do Romantismo americano, época literária na qual prevalecia o mistério, o macabro. Quer melhor exemplo disso que esse cara aqui? Desde cedo, Poe se interessou por literatura, rumo que seguiu durante a vida.

Ao pensar no Romantismo, você certamente se lembrou de livros que falam sobre o amor. Para Poe, não é bem por aí. Suas obras são essencialmente fantásticas, partindo para os gêneros horror e policial e é muito aclamado por quem gosta desse tipo de leitura.

Confesso que não sou fã de nenhum desses dois temas, mas muitos amigos me falaram de Poe e eu me interessei. Não peguei nada sobre ele na biblioteca, porque ela está fechada para organização. Então achei a solução para os meus problemas: o aplicativo iPoe!

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A Camila do blog Cartaz Amarelo falou em um grupo que participo no Facebook sobre esse app e me interessei muito (obrigada pela indicação, Camila!). Era um app pago, mas como ele estava grátis naquele dia, lá fui eu baixar. É incrivelmente lindo, cheio de ilustrações, super interativo, com uma trilha sonora tipo filme de terror. O app é como um livro com contos do Poe, sendo eles: “The oval portrait”, “The tell-tale heart”, “Annabel Lee”, “The masque of the red death”. No final você ainda encontra a biografia do autor e a seção Extras.

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“Atenção! Essas palavras podem servir de aviso para aqueles imprudentes que, por erro ou ignorância, estão prestes a ler essa coleção de histórias antigas. Se você não é corajoso o suficiente para andar no caminho escuro do terror e no labirinto insondável de medos internos, é provável que essas histórias possam ter efeitos indesejáveis na sua saúde mental ou humor. Se é o caso, nós  realmente te recomendamos a não proceder com essa experiência”.

Essa é minha tradução mais ou menos.

Pelo que você deve ter notado, o app é em inglês, mas tem as opções espanhol e francês. Quando você vira o celular da horizontal, ele abre um menu onde você pode deixar o áudio mudo, trocar de idioma e avançar de um conto a outro. Eu acredito que esse aplicativo seja somente para Apple, já que ele começa com a letra “i”. Não consegui achar essa informação na internet, infelizmente. Mas aos usuários Apple eu digo que é uma compra na Apple Store que vale a pena ser feita, ou o download grátis como eu fiz. Existem dois aplicativos, o volume 1 e 2; no caso eu baixei o volume 1.

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As ilustrações são de altíssima qualidade, alguns desenhos até se mexem. Eu parei a leitura em alguns pontos só para ficar olhando.

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Adicionando tecnologia à literatura, iPoe foi muito bem feito, diferente de outros livros digitais que mais parecem uma cópia tirada em uma banca. As ilustrações e a música servem de acréscimo aos maravilhosos contos de Edgar Allan Poe.

Beijos e até a próxima,

Mariana

(Resenha) Morte Súbita – JK Rowling

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Autor: J.K Rowling

Editora: Nova Fronteira

ISBN: 9788520932537

Páginas: 512

Lançamento: 2012

No vilarejo inglês de Pagford, tudo corre naturalmente. Tão pequeno que é considerado um distrito. Cada um com suas respectivas tarefas, a vida segue seu rumo naturalmente. Mas não para Barry Fairbrother, ocupante do principal cargo da política ali de Pagford, que morre de aneurisma já no primeiro capítulo do livro.

Antes que você queira me matar: isso não é um spoiler! Na verdade, é a ideia central do livro. Então já deu pra imaginar que a nossa rainha dos bruxinhos da série Harry Potter não vai falar de magia dessa vez. Pelo contrário: a história é muitíssimo realista e cotidiana. É um romance adulto que gira em torno da morte de Barry e da obsessão dos moradores pelo cargo administrativo deixado pelo falecido. Ailás, é por isso que o nome em inglês é “The Casual Vacancy”. Vacância quer dizer: “Cargo ou emprego enquanto não é preenchido”.

O livro é denso e difícil de ler, e isso pode assustar os fãs da JK, que nos levou facilmente ao mundo de Hogwarts – sem tropeços durante a leitura! Dessa vez eu estava esperando uma leitura lenta mesmo, pois já havia lido algumas resenhas sobre a obra. Acredito que nem deva ser uma leitura fácil: é de profunda reflexão e entendimento.

Vale dizer que o livro é dividido por partes e cada capítulo é narrado pelo ponto de vista de um personagem ou família, tendo como foco narrativo a terceira pessoa. Essa separação de capítulos não me incomodou, mas muitas pessoas me disseram que desistiram da leitura por causa disso.

(Spoiler a partir desse ponto)

Em cada família ou pessoa, existe um defeito crucial (ou vários). Me fez pensar sobre várias atitudes que eu tomo sem pensar, ou até mesmo em meus pensamentos em relação a tudo. Uma coisa que eu achei muito real no livro é o que o Danilo (do canal Cabine Literária) disse em sua  sobre o livro: com Barry morto, JK quis dizer que o altruísmo morreu, justamente porque Barry é uma das únicas pessoas no livro com a aura positiva, sempre tentando ajudar o próximo.

São poucas as pessoas no livro com sentimento puro; sempre tem uma personagem corrompida em cada capítulo, desde o começo até o fim da história. Quando eu acabei o livro, fechei-o e comecei a pensar o que a autora quis passar com a história. Acabei concluindo que o título brasileiro faz mais sentido (pelo menos para mim) que o inglês. “Morte Súbita” remete a fato de que pessoas boas tem uma morte súbita, ou seja, não a sentem se aproximar e não sofrem com o fim da vida. Pessoas ruim definham aos poucos e a morte pesa nos ombros, como um baú pesado repleto dos seus piores defeitos.

JK Rowling foi muito feliz na escolha do tema do seu romance adulto (entenda por adulto um tema pesado e narrativa pesada, e não cenas obscenas). É um livro que faz pensar – e como! Mas eu acho que ela se estendeu muito em alguns pontos onde a narrativa poderia ser mais corrida, ou até não ter existido. Mesmo assim, eu me emocionei na cena do funeral de Barry e com as personagens que, de certa forma, eram menosprezadas por serem boas. Então minha nota foi de três estrelas, porque eu acho que a narrativa poderia ser reduzida.

Aqui estão alguns quotes:

“Na sua opinião, o maior erro de 99% das pessoas é ter vergonha de serem quem são, é mentir a esse respeito, fingindo ser alguém diferente”

“É estranho como a nossa cabeça pode saber o que o coração se recusa a aceitar”

Beijos e até a próxima,

Mariana

(Resenha) Peça Til – José de Alencar

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Ontem fui ao Teatro Celina Lourdes Alves Neves assistir à peça “Til”, baseada na obra de José de Alencar, encenada pelo Grupo Trapiche.

“Til” é um romance do movimento Romantismo, portanto sua linguagem é um tanto pesada para nós, dificultando um pouco o entendimento do texto. Conta a história da menina Berta, a qual tem uma compaixão enorme com todos os moradores da fazenda, até mesmo os que (aos olhos dos outros) não merecem. O título remete ao acento gráfico til, pois um menino com deficiência mental chama Berta por esse nome, já que ela o ensina o alfabeto. A história se desenrola aos poucos, contando a história de vida de cada personagem, que tem a ver com o nascimento de Berta.

Eu já havia lido a obra, então fiquei entusiasmada com a adaptação para os palcos (já que adorei o livro). Fui assistir com certo receio, pois geralmente adaptações tiram partes significativas da obra. Felizmente, o Grupo Trapiche soube encenar muito bem cada acontecimento do livro, abusando do humor, romance, tristeza, rancor… Tudo isso na dose certa!

Grupo Trapiche, peça "Til"

Grupo Trapiche, peça “Til”

Uma das coisas que mais me emocionou foi o cenário. Era constituído de um pano verde no centro e ramos ao redor e atrás desse pano havia uma luz verde. A cada vez que um personagem passava na frente da luz, sua imagem se projetava no pano e engrandecia. Fiquei arrepiada a cada vez que isso aconteceu.

Em questão da sonoplastia, achei um pouco “atrapalhada”. Às vezes a música não começava na hora certa e não achei o repertório agradável. Além disso, o som estava muito alto.

O que tenho a dizer sobra a escolha dos atores: excelente! Todos foram ótimos em seus papéis e, por mais que não fossem iguais aos que eu imaginava no livro, adorei a escolha e acrescentei muito do que aprendi com cada um deles.

Berta (ao fundo)  e Zana (de costas)

Berta (ao fundo) e Zana (de costas)

É uma peça maravilhosa. Entrou para a lista de recomendados!

Beijos e até a próxima,

Mariana Zillo